OLHAR ESPIRITUAL
OLHAR ESPIRITUAL
“Não julgueis, para que não sejais
julgados” Mateus 7: 1
“Não julgueis segundo a aparência e
sim pela reta justiça.” João 7: 24.
À primeira vista são ideias, que se
chocam, tão opostas, diferentes, sobre o mesmo assunto. Acreditamos poder
uni-las, dar um sentido que as combinam.
O primeiro versículo nos leva a
crer; num momento inicial, que nós não devemos julgar quem quer que seja. Isso
soa estranho porque todos nós, cada um de nós erramos. E seguindo esse
pensamento, então, os nossos erros não devem ser levados em conta, devemos
simplesmente deixá-los de lado – ninguém deve nos julgar. Contudo lendo os
versículos que se seguem no mesmo capítulo é nos dito que se julgarmos, devemos
estar preparados para ser julgados pelos outros também. Então, cremos que se
amarmos a verdade ao ponto de darmos chance, para os outros apontarem nossos
erros, poderemos, teremos moral, para julgar. Prosseguindo Jesus nos fala que
com a medida com medirmos também seremos medidos. Isto é ser justo. O problema
é que nós somos, geralmente, campeões de desculpas quanto às nossas próprias
falhas e rigorosos demais quanto às falhas dos outros. Aí é que nos leva a
pensar em outras palavras de Jesus, no mesmo capítulo no versículo 12, que se
aplica a tudo o que possamos fazer para com o nosso próprio:
“Portanto, tudo quanto quereis
que as pessoas vos façam, assim fazei-o vós também a elas,” isto é ser justo,
sem dois pesos e duas medidas.
Terminamos a análise deste
primeiro versículo dizendo que a ênfase nele é que deve haver critério para
julgar, examinar bem a questão.
No segundo versículo é que está o
segredo, no que se refere a julgar que completa as nossas colocações, para em
seguida desenvolvê-las mais.
Leiamos novamente para
considerarmos melhor:
“Não julgueis segundo a aparência
e sim pela reta justiça.”
A raiz do problema de julgar pode se
apresentar quando o fazemos parcialmente, sem procurar ver os vários lados de
uma questão. Vemos apenas a aparência, superficialmente, sem nos aprofundarmos
para descobrir a verdade. Vale lembrar que aqueles que se opunham mais a Jesus
eram os fariseus, os líderes religiosos da sua época. Eles eram mestres em
julgar sem levar em consideração, respeitar a quem julgavam. Eram quase sempre
parciais, observavam apenas o que lhes interessava – não era um bom julgamento.
Isto também nos leva a outra característica totalmente nociva, e que temos de
nos policiar quanto a ela, e justamente é ter já desde o começo uma tendência
quando examinamos algo – ter uma opinião predeterminada que vai influenciar o
nosso julgamento.
{O viver como cristãos impõem que
tenhamos um olhar diferente sobre tudo o que nos cerca. Devemos ter um olhar
espiritual, para com sabedoria examinar primeiramente o nosso próprio proceder,
como andamos neste mundo. Examinar é também julgar. Porque como está escrito
não devemos andar como néscios, sinônimo de ignorante, louco, e sim como
sábios, Efésios 5: 15. Como dissemos nos julguemos como andamos e, então,
depois façamos o mesmo com os outros, mas sempre tendo um olhar amoroso para
com eles. Desta forma vamos dar à palavra julgar o seu real valor, não como um
tabu, mas como o que devemos fazer com responsabilidade e sabedoria. Há a
necessidade de termos este olhar para nos desenvolvermos no reino de Deus.}
Para vermos as coisas da maneira
correta, cristã, precisamos associar e unir três coisas:
Amor, justiça e moderação. Nós
baseamo-nos neste versículo para isso:
“Todos os vossos atos sejam feitos
com amor.” 1 Coríntios 16: 14
Não é sem razão, que o grande
identificador dos discípulos de Jesus é que estes seriam reconhecidos pelo amor
que demonstrassem uns aos outros, nas próprias palavras dele, João 13: 35.
Não só quanto ao julgamento, mas em
tudo o que se refere, diga respeito ao nosso próximo, se estiver o amor é a
chave para agirmos de forma diferente e acertada. Porque estaremos ajudando o
nosso próximo, quando com amor nós o vermos fazer algo condenável, e o
alertarmos quanto a isso.
Julgar é examinar bem e quando
verificar que há algo errado fazer o que é justo – estabelecer a justiça.
Podemos pensar sobre isso também quando falamos de roupas sob medida. Elas são
feitas para ficarem na medida certa para os clientes. É quando dizemos que uma
roupa ficou direitinha, ajustou-se perfeitamente ao corpo daquele para quem foi
feita – ela ficou justa para aquela pessoa.
O ato de julgar, quando o fazemos
com amor, está ajudando a edificar, construir com o nosso próximo, procurando mudar para melhor
a situação em que ele esteja envolvido.
Vemos isto claramente e negativamente
exemplificada, a maneira errada de julgar, no caso da mulher adultera que foi
trazida até Jesus em João 8. O objetivo daqueles homens não era o de se
estabelecer a justiça. Eles estavam puramente tentando prejudicar a Jesus,
achar uma razão para acusá-lo de estar contra a lei. Tanto que para começar, no
caso em questão do adultério, ninguém o faz sozinho, há a necessidade de serem
duas pessoas e eles haviam trazido apenas a mulher, como o centro das atenções,
para que ela fosse julgada. E o homem com quem ela havia adulterado?
Um exemplo perfeito positivo no qual
se buscou corrigir um comportamento errado é a repreensão que Pedro recebeu de
Paulo. Isto está registrado em Gálatas 2: 11 a 14. E Pedro recebeu bem este
julgar de Paulo, não vemos nenhum menção do fato em suas cartas e sim dele se
referir ao seu colega apóstolo em uma carta como o “amado irmão Paulo”, 2 Pedro 3: 15. Ele
aceitou como algo legítimo e bom.
Percebem como em tudo isso está o
amor? Ao falarmos de juízo, justiça, veio-nos à mente a figura o símbolo da
justiça; e que também é o mesmo da ciência do direito, aquela balança. A
moderação, equilíbrio, sensatez, estão presentes. Para se julgar da maneira
certa é vital pesar todos os elementos envolvidos em uma questão – se fizermos
com amor atingiremos este objetivo.
Somos discípulos, como cristãos,
daquele que tem como um de seus nomes a verdade. E se nós queremos ser fiéis a
este princípio, a verdade deve ser buscada, almejada, sobre todas as coisas.
Reforçando alguns pontos que achamos
centrais neste assunto. Devemos pensar sobre o nosso objetivo ao criticar
alguém, julgá-lo. Vejamos estas perguntas sobre o que procuramos fazer ao
julgar: É edificar, construir, ajudá-lo a melhorar verdadeiramente? Não olhamos
a aparência, parcialmente, examinamos os vários lados de uma questão sobre
outra pessoa? Esperamos que as respostas a estas duas perguntas sejam sim.
Porque isso quer dizer que estamos demonstrando amor por esta pessoa, que o
amor está presente neste julgamento.
Outra grande lição que nos ensina
aquele primeiro versículo e serve para tanta coisa é o perigo de generalizamos
as coisas. Devemos procurar entender bem e especificar a que se refere uma
verdade. O que queremos dizer com generalizar, para que não fique vago?
Vamos responder e dar um exemplo
citando algo que muitas vezes é motivo de depreciação dos dois sexos. Quem
nunca ouviu que isto é coisa de homem, ou isto é coisa de mulher? E ainda tinha
que ser um homem, ou tinha que ser uma mulher? Isto é como que se ditássemos que os
comportamentos destes sexos só seguissem determinados padrões. E apenas mais
um: Tinha que ser político. Isto é generalizar que determinadas coisas nunca
fogem ao padrão. Como dissemos isso significa que tal coisa é de homem, mulher
ou político, como se fosse uma regra sem exceção, e servisse para todos. E nós
sabemos que há homens e homens, mulheres e mulheres, e políticos e políticos –
nem todos se encaixam nesta regra. Nem sempre as pessoas têm o mesmo
comportamento.
Quanto a conceituar coisas dizer que
são assim ou assado, devemos tomar cuidado, porque dá lugar para ter várias
interpretações do mesmo assunto, procuremos ser específicos – não vamos cair na
generalização.
Estas nossas colocações, como já
dissemos, da maneira certa de se fazer um julgamento de alguém é o que chamamos
de olhar espiritual. Não julgar por julgar, e sim procurar através disto
produzir algo bom. Procurar que nosso irmão ou irmã em Cristo, e as pessoas
comuns também, melhorem o seu comportamento. Valorizar o nosso próximo, ter
amor ao fazer qualquer ato em relação a ele.
Como última colocação nós também não
devemos viver a julgar os outros, ser viciados nisso. Novamente isto está
relacionado à moderação. A crítica realmente construtiva pode ajudar e muito às
pessoas. E isto não só relacionado ao que fazem de errado, mas também ao
complemento do que está certo. Por vezes uma pessoa que está vendo como se está
sendo realizado um projeto enxerga pontos, que ninguém está vendo e o seu
julgamento, vem a somar acrescentar muito – pode ser a diferença para o sucesso
ser ainda maior, ou evitar prejuízo adiante.
Quando harmonizamos estes três: o
amor, a justiça e a moderação, as pessoas são tratadas como devem ser, com todo
o respeito, consideração que merecem. Escolheremos melhor as palavras quando
formos julgar, e a nossa participação em muito do que fizerem será sempre bem
vinda.
Terminamos ainda fortalecendo mais,
falando sobre o amor. Jesus veio à terra, passou por tudo o que passou e morreu
na cruz, tudo por amor à humanidade. E não vemos uma vez sequer, em que pese
tudo o que sofreu, a tremenda, inimaginável pressão que estava sobre ele, que
tenha feito um julgamento, sem demonstrar o seu carinho, amor às pessoas.
Façamos o mesmo, sigamos o seu exemplo.
O amor é a base de tudo para vida do
cristão. Sem amor nenhum dos bons sentimentos têm conteúdo, são como devem ser.
O segundo que citamos é a justiça. Para se estabelecer a justiça sobre uma
questão é necessário analisar todos os lados envolvidos, procurando não ser
tendenciosos e sim buscarmos a verdade. E finalmente e não menos importante, a
moderação, como nos falou Salomão em Eclesiastes 6: 15 a 22. Influenciados pelo
amor, com justiça, e moderação podemos fazer as coisas sem atropelos, meditando
bem, não exagerando ao examinar o que quer que seja. Nem sempre temos uma
relação harmoniosa entre estes três, mas isto é mais que desejável é prudente
para que se alcançar um bom objetivo – que beneficie a todos.
E finalmente para concluir acrescentando:
"julgai todas as coisas, retende o que é bom." 1 Tessalonicenses 5: 21
TENHAMOS UM OLHAR ESPIRITUAL
PARA JULGARMOS POSITIVAMENTE
#EderRSilva

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