MISERICÓRDIA


MISERICÓRDIA

            “...Pai, perdoa-lhes porque não sabem o que fazem.” Lucas 23: 34.
            Como ecoam em nossa alma essas palavras de Jesus na cruz ! ! !
            Misericórdia, muita misericórdia, o mundo clama por isso ! ! !
     Misericórdia, diariamente através dos atos de Deus, sobre todos os homens vemos a sua manifestação. Como recebemos dele, de graça, devemos dar aos homens. Bondade para com todos – isto é misericórdia.
            A misericórdia, quando somos tratados bem e a fazemos em retribuição a quem nos fez o bem, é fácil e prazerosa de ser praticada. Mas não é este tipo de relacionamento que vivemos a maior parte do tempo com o nosso próximo. Cremos que nós somos chamados mais frequentemente, a ter misericórdia de quem é ingrato e até mesmo nos retribui com o mal.
         Entre pessoas como nós, iguais, com quem nos damos bem, como isto sobressai, brilha mais? Achamos que nem tanto. É entre diferentes que a ela aparece mais.
         Misericórdia é quando independentemente de quem quer que seja, damos amor, praticamos atos de bondade para com o outro.
            Jesus falou disso também ao dizer estas palavras no Sermão do Monte:
          “Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem; para que vos torneis filhos do vosso Pai celeste, porque ele faz nascer o seu sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos.” Mateus 5: 43, 44 e 45.
           Jesus quando esclareceu, ressaltou fazer o bem até aos maus, lançou luz, se referiu ao que Moisés já havia deixado na lei, está em Êxodo 23: 4 e 5 – não se trata de algo novo. Neste trecho de Êxodo, somando-se às palavras de Jesus temos:
        “Se você encontrar perdido o boi ou o jumento que pertence ao seu inimigo, leve-o de volta a ele. Se você vir o jumento de alguém que o odeia caído sob o peso de sua carga, não o abandone, procure ajudá-lo.”
            Paulo nos diz no mesmo sentido:
       “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: “Minha é a vingança; eu retribuirei”, diz o Senhor. Pelo contrário: “Se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber. Fazendo isso, você amontoará brasas vivas sobre a cabeça dele”. Romanos 12: 19 e 20.
        E ensina sobre as nossas armas contra aqueles que nos fazem mal. As armas do filho de Deus, para combater o mal não são malignas, são armas do próprio bem. Ele continua ao dizer:
          “Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem.” Romanos 12: 21.
        Temos outros exemplos para aprender de Jesus. Perto do dia de sua morte ele precisava passar por uma aldeia de samaritanos e estes se recusaram a recebê-lo. Diante desta recusa, seus discípulos João e Tiago, pediram a Jesus permissão para invocar fogo do céu, para que consumisse os samaritanos, e Jesus o negou dizendo:
       “Vós não sabeis de que espírito sois. Pois o Filho do homem não veio para destruir as almas dos homens, mas para salvá-las.” Lucas 9: 55 e 56.
        Para os judeus, os samaritanos estavam entre aqueles que não mereciam misericórdia. Jesus bem ao contrário praticou amor por eles, tanto que evangelizou uma mulher samaritana, João 4. Enfatizou assim, o bem a todos, na sua forma mais preciosa – a pregação do evangelho.
          Estevão foi misericordioso para com aqueles que o apedrejavam:
       “Então, ajoelhando-se, clamou em alta voz: Senhor, não lhes imputes este pecado. Com esta palavras adormeceu.” Atos 7: 60.
         Misericórdia, olhando novamente para Jesus, além do exemplo máximo na cruz, temos um fato a acrescentar. O sentimento dele em relação a Judas Iscariotes, que o traiu. Jesus já tinha dito aos discípulos que um deles o trairia. Na ceia, na noite em que foi traído, a pedido de João ele indicou quem era este. E o indicou por um gesto que significava uma consideração especial para com alguém, dar um pedaço de pão molhado, e ele o deu a Judas, João 13: 26.           
        Particularmente pode haver aqueles que não querem nem que falemos com eles, e que preferem até mesmo, que passemos para o outro lado da rua quando os encontramos. Neste caso façamos o que Paulo nos diz; se eles necessitarem de nossa ajuda, vamos dar-lhes. E não esqueçamos algo indispensável que Jesus falou, nos versículo de Mateus 5: 44, já citado do Sermão do Monte: “amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem”. Isto é misericórdia.
        Aqueles que trouxeram a Jesus uma mulher adultera, queriam que ele lhe desse como sentença, todo o peso, o rigor da lei; queriam que ela fosse punida com apedrejamento. Eles estavam provando a Jesus, para ver o que ele faria, e injustamente só trouxeram a mulher, sem a companhia do homem com quem ela havia adulterado.  Ao contrário disso Jesus recebeu a mulher com misericórdia, e olhando todos os lados da questão. Aos seus perversos, injustos acusadores, ele os confrontou ao dizer que “Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.” João 8: 7b. Diante disso, acusados pela própria consciência, todos eles desistiram de apedrejá-la, e por fim deixaram Jesus a sós com a mulher. Ele lhe falou com amor e mandou que ela continuasse sua vida com estas palavras: “Nem eu tampouco te condeno; vai e não peques mais.” João 8: 11 final. Isto é misericórdia.
         Neste ponto introduzimos algo que é pensado por muitas pessoas, com relação a ser bom neste mundo. Eles dizem que deve haver limites e realmente existem, mas não como eles querem dizer. O que se ouve falar é de que quem é digamos, “bonsinho”, trata-se daquele que aceita tudo, não sabe negar nada, tudo podem fazer com ele, em outras palavras: “é um molenga”. E ser “bonsinho”, é igual a “bobinho”. Aí temos algo bem consistente sobre o que falar a respeito, e o desenvolveremos em seguida.
          Impressionou-nos ligado a isso a reação de Davi, por mais de uma vez.
         Primeiro vejamos o histórico deste servo de Deus:
         .Quando todos de Israel estavam amedrontados pelo desafio do gigante Golias, e ninguém se apresentou para enfrentá-lo, Davi ainda muito jovem aceitou-o, e o venceu. Antes de enfrentar o gigante, Davi contara ao rei Saul que como era pastor de ovelhas, já havia enfrentado um leão e um urso, o que já não é pouca coisa. Davi já tinha um espírito guerreiro, homem de luta. E aproveitamos para falar do segundo ponto.
          .Tanto ele era homem guerreiro que passou depois a liderar os exércitos do rei Saul, e por onde ia conseguia vitórias 1 Samuel 18: 5 e 30.
          .Infelizmente e injustamente o rei Saul passou a odiá-lo. E tentou matá-lo algumas vezes e milagrosamente Deus o livrou de suas mãos, 1 Samuel 18: 10 e 11; 19: 9 e 10.
       Aí vem algo por demais admirável, surpreendente, por duas vezes Davi teve a oportunidade de matar Saul e não o fez, 1 Samuel 24 e 26 – isto é misericórdia.
         E mais, para nós aí vem algo a somar, que nos sacode tremendamente.
         Por longo tempo houve guerra entre a casa de Davi e a de Saul, 2 Samuel 3: 1.
       Quando Davi tornou-se rei; anos depois quando Saul já havia falecido, ele foi afrontado, humilhado por um homem da família de Saul, 2 Samuel 16: 5 a 14. Apenas Davi, como homem de luta que era, poderia tê-lo morto e com justiça. Pois, este homem sem razão, o amaldiçoava, jogava pedras e terra, no rei e naqueles que com ele estavam. Neste episódio em particular, quando ele foi humilhado por este homem, chamado Simei; o rei Davi estava ao lado de seus valentes. Estes valentes eram homens extremamente fortes, hábeis na arte da guerra – guerreiros temíveis. E bastaria o rei pedir para matar Simei, que o fariam sem hesitar, como foi o caso de um destes valentes que pediu isso, e Davi o proibiu.
        E note-se algo mais, Simei era do povo de Deus, ele não era um que desconhecia a Deus. Esperamos atitudes arrogantes, agressivas, dos de fora, mas estranhamos e lamentamos quando isso acontece vindo daqueles que deveriam ter consideração, pelo menos respeito por nós, por fazerem parte do mesmo grupo de pessoas que nós.
          E, então, Davi era bonsinho, um molenga, depois de vermos todo este seu histórico?
        Davi além das bênçãos naturais que Deus concede a todos os seres humanos; as quais Jesus exemplificou falando do sol e da chuva, experimentou estas de que nos ocupamos mais em falar. Há mais a falar sobre isso, mas estas bastam. Davi exerceu misericórdia, porque primeiramente recebeu misericórdia de Deus.
       Davi não era um homem bonsinho, um molenga, ele ao contrário da mesma forma, que todo o filho de Deus que foi coberto pela misericórdia de Deus, soube que devia igualmente passá-la a quem pudesse – e o fez.
         Isto é misericórdia ! ! !
       Não pensamos em muitos que tivessem esta mesma oportunidade, com tudo a seu favor para retribuir a ofensa, como Davi teve, e preferissem não fazê-lo.
         Misericórdia, a regra do “bateu levou”, o mundo vive, e às vezes o filho de Deus, em algum grau também. Quer dizer que a nossa reação de bondade pode depender do que o outro nos fizer? Absolutamente não, está errado! Não é isso que a Palavra nos diz. E há outro lado a se considerar: Em muitos momentos na nossa vida vamos errar, e boa parte destes erros vão atingir outras pessoas, e se elas não tiverem misericórdia para conosco, sofreremos terríveis consequências. A nossa vida tornar-se-á uma sequência de golpes dos outros contra nós, a nos afligir constantemente. Cada pecado, todo pecado, é primeiramente uma ofensa contra Deus, depois contra a pessoa que o recebe. Se não fosse a misericórdia de Deus, nós ficaríamos caídos permanentemente.
        Dedicamos muito a falar da misericórdia com relação ao perdão, em boa parte destes casos, porque a vemos como uma das mais difíceis de exercer. Ter o espírito de perdoar e tendo a disposição de ajudar, a quem nos fez algum mal, não é algo que gostamos, ou tendemos a fazer.
        Além de tudo isso, há a misericórdia, que não está ligada ao perdão àqueles que não gostam de nós, diz respeito a estender a mão auxiliando aos mais carentes. Da mesma forma ela é tão igualmente necessária, há tantos que precisam ser ajudados.
         Os meios de comunicação fazem-nos chegar notícias e imagens em tempo real, de milhares de homens, mulheres e crianças que sofrem:
          Como vítimas de epidemias.
          Vítimas de guerras.
          Pelas passagens de furacões, terremotos, maremotos, incêndios, erupções vulcânicas.
          Em certos países, algumas destas coisas ocorrem há décadas, ou mesmo séculos.
        Trazendo para mais próximo de nós, em certas épocas do ano, ocorrem as enchentes pelas chuvas muito fortes e continuas. Famílias inteiras ficam desabrigadas por vezes, e perdem tudo o que tinham.
         Basta estarem carecidos do principal para viverem – se pudermos vamos ajudá-los.
     E mais perto ainda, na nossa igreja, na nossa rua, há pessoas que precisam de ajuda, precisam que nós nos compadeçamos delas.
        Se podemos nos envolver e ajudá-las não nos recusemos a fazê-lo.
        Há pessoas na sua vida, para quem você não tem sido misericordioso?
        E você não tem sido alvo da misericórdia de outros?
       E mesmo que as pessoas não sejam misericordiosas com você, o que Deus quer para a sua vida, não é que você seja misericordioso?
        Deus não tem sido misericordioso com você?
     Pessoas transbordantes de misericórdia, sim irmãos, uma das coisas que o mundo mais necessita urgentemente é que surjam mais pessoas a semear abundantemente este fruto – é mais uma forma de amor. Uma forma esquecida por muitos, sepultada, sob camadas de orgulho e arrogância – falta de amor. Um amor que sobre todos foi derramado por Jesus na cruz. Nós recebemos a misericórdia de Deus e devemos passá-la a quem pudermos.

PENSE NISSO
E SEJA MAIS MISERICORDIOSO

#EderRSilva

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