UM NOVO SANTO DOS SANTOS

                                             
                                                      UM NOVO SANTO DOS SANTOS

“Não sabeis que sois santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?” 1 Coríntios 3: 16.

         Com a morte de Jesus, a respeitada e temida parte do tabernáculo, o Santo dos Santos, deixou de existir. Devemos destacar, que esta era a divisão do tabernáculo, que mais exaltava a santidade de Deus, na qual somente o sumo sacerdote entrava, e apenas uma vez por ano. Por Jesus, o homem tem o privilégio e a grande responsabilidade de se achegar diretamente a Deus. Com Moisés (Êxodo 3: 5) e depois com Josué (Josué 5: 15) vemos, Deus falando que aquela terra onde eles estavam era terra santa. Agora pelo sacrifício feito por Cristo na cruz, onde estiver um filho de Deus é terra santa, porque o espírito de Deus habita nele, nós somos santuário do Espírito Santo, como nos diz o versículo que iniciou este texto.
         Mas nos parece, e alguém nos convença do contrário se puder, que na mente de alguns cristãos, os momentos de alguma atividade oficial espiritual, de adoração em conjunto ou individual; no templo ou fora dele, é um novo Santo dos Santos. Porque há todo aquele clima elevado, de respeito quando há alguma atividade, como a que acabamos de abordar. Mas, quando as pessoas estão conversando no templo, no momento de confraternização no salão social, e em casa ou em outro lugar com outras pessoas, a liberdade para falar o que não convém aumenta, e sem nada na Bíblia que apoie isso.
        Infelizmente, este fato não se dá em uma denominação, ou grupo em particular, nem afirmamos que todos os cristãos o praticam, e sim que vemos verdadeiramente como algo normal entre o povo de Deus – é um mal comum.
          Estamos tratando, especificamente no que se relaciona, e nos referimos acima, às palavras que usamos nas atividades oficiais, e as que usamos quando não estamos participando delas, não deviam ser de tipos diferentes – mas às vezes são. Há uma liberdade condenável, ao falarmos de assuntos dos quais havia antes, um cuidado especial, zelo, em tratá-los genericamente, por referirem-se à malícia, sensualidade, imoralidade, nos momentos de adoração conjunta, ou na nossa devocional em nosso lar. Não devemos abrir mão desta precaução, não nos arrisquemos a dar um quadro tão preciso, e profundo do pecado, ao ponto de sentirmos, vermos, a sua podridão. Então, somos santos nos momentos solenes e oficiais e em outros não? Antes ou depois do momento de adoração não é pecado, mas durante a adoração é? Algumas destas palavras são os palavrões, usadas não por todas as pessoas apenas algumas, e outras são aquelas que banalmente muitos usam em casa, e em outros ambientes, porém não acham apropriadas para se falar no templo, atividades oficiais da igreja, ou na devocional individual. E achamos infantil a precaução que muitos têm, de discretamente, sussurrar algumas destas palavras, pensamentos, dizê-los em voz baixa, como se assim reduzisse a níveis aceitáveis a sua inconveniência – o pecado é o mesmo. Não são apropriados, os palavrões e as outras palavras, trata-se do mesmo problema. Quando é assim, em nenhum lugar deveríamos usá-las, nenhuma delas. Elas deveriam ser banidas de nossa vida.
        Lamentamos também, que outros irmãos não falem estas palavras, mas repassem, apoiem textos, mensagens daqueles que as usam, e muitas vezes tratam-se do que pessoas do mundo pensam - é a mesma coisa. Se agirmos desta forma, temos que admitir que somos mais santos, nos lugares que já nos referimos, e em outros momentos não - não precisamos ser. No texto de 1 Pedro 1 : 14,15 e 16, somos exortados a sermos “santos em todo o nosso procedimento”, isto quer dizer que inclui o linguajar que usamos. Para nós isto é um absurdo que tal ocorra. E virou coisa tão comum ser praticado pelos cristãos, infelizmente, não sendo exceção nem entre os líderes; que têm a responsabilidade, mais que os demais, de ser padrão de conduta.
      O que Paulo nos diz referindo-se aos do mundo é algo para ser levado muito a sério: “Porque o que eles fazem em oculto, o só referir é vergonha.” em Efésios 5: 12. Hoje em dia parece que esqueceram estas palavras de advertência, muitos narram em detalhes o que os do mundo fazem. E para isso muitas pessoas usam o mesmo linguajar destes frequentemente.
       Contudo, julgamos que estes cristãos, a grande maioria deles, não se dão conta, não têm consciência, de que isso que fazem é errado. É mais uma prova da forma sutil, em que o pecado se aloja mansamente entre nós. Por isso devemos estar sempre vigiando, pois as forças do mal lideradas por Satanás não dão-nos trégua, e igualmente o mundo, e nem a nossa natureza pecaminosa. Pela misericórdia de Deus muito daquilo que é mau e poderia chegar até nós é barrado por Deus, (Lucas 22: 31 e 32), mas a nossa parte devemos fazer, que é vigiar.
        Vamos ilustrar, que essa atitude de alguns cristãos, seria como se adotasse, a partir de hoje, a prática inconsequente de fazer-se, a reconstituição de um crime de homicídio, por arma de fogo, não só com armas reais, mas disparos reais – dá para se pensar nas terríveis consequências. Citar algo torpe dito por alguém, linguagem indevida, não diminuí o efeito, dizendo que foi outra pessoa e não você que o disse. Não repita, não há uma forma inofensiva de se lidar com este linguajar, é tão somente não usá-lo. E não devemos nos render à curiosidade, daqueles que querem saber o que de torpe, ou inconveniente, especificamente foi dito. Se insistirem, use apenas o que de básico e se refere àquele fato genericamente.
         Devemos procurar ser santos na igreja também, mas não só na igreja, igualmente quando estamos fazendo qualquer outra atividade, em qualquer lugar, porque somos templos do Espírito Santo – ele habita em nós. Por sermos templos do Espírito Santo, é necessário fazer-se duas perguntas fáceis de responder: Quando deixamos de ser filhos de Deus, em que momento? Quando e onde, as nossas ações tem que ser diferentes, quanto ao padrão cristão que seguimos? Sabemos que uma hora ou outra vamos pecar, mas justamente a nossa missão diária, como cristãos, é lutar contra isso, não nos conformarmos.
        Isto do que aqui abordamos é o mesmo antigo problema que sempre estamos enfrentando, e devemos redobrar os esforços em lutar contra ele: É nada mais nada menos, do que encarar certos pecados diferentes dos demais, como tendo menor importância, e em verdade sabemos que todos são abomináveis a Deus. Não existe pecado de diversos tamanhos e graus – pecado é pecado. Santidade, devemos tê-la em qualquer lugar e situação.
        Cuidado!!! Não tenha na sua vida um novo Santo dos Santos.
       Aqui ou ali, em qualquer lugar, ou hora em particular, procure não fazer nada, que Deus não aprovaria.
        Onde você estiver e como estiver é terra santa.
      Usemos um linguajar simples e agradável, não precisamos ser formais, mas não devemos dar lugar à vulgaridade, pois ela alimenta o que não é apropriado – não serve para o cristão.
        Honre em tudo ao Espírito Santo que habita em você.

(Este texto foi extraído, faz parte, de nossa extensa meditação cujo título é: “Palavras Santas”)

Eder Rodrigues da Silva

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